Você sabe qual é o tipo ideal de CNPJ para prestar serviços de TI ou logística

Você sabe qual é o tipo ideal de CNPJ para prestar serviços de TI ou logística?

Se você trabalha com tecnologia da informação ou logística e está pensando em formalizar sua atividade ou abrir uma empresa, uma das decisões mais importantes do processo é escolher o tipo de CNPJ ideal

Essa escolha influencia diretamente nos tributos que você vai pagar, nas obrigações legais que deverá cumprir, e até nas oportunidades de negócio que poderá aproveitar.

Muitos profissionais dessas áreas começam como freelancers ou autônomos, mas, à medida que os projetos crescem e a demanda aumenta, é natural buscar mais profissionalismo, segurança jurídica e benefícios fiscais. 

É aí que surge a necessidade de abrir um CNPJ — e saber qual formato é mais vantajoso pode fazer toda a diferença no sucesso do seu negócio.

Por que formalizar seus serviços?

Antes de falar sobre os tipos de CNPJ, vale entender por que a formalização é tão importante. Ter um CNPJ ativo permite:

  • Emitir notas fiscais e atender empresas de médio e grande porte.
  • Abrir conta bancária empresarial e ter acesso a crédito.
  • Contratar colaboradores ou terceirizados legalmente.
  • Reduzir a carga tributária, dependendo do regime escolhido.
  • Estar regularizado perante a Receita Federal e os órgãos fiscais.

Em setores como TI e logística, onde os contratos com empresas exigem profissionalismo e cumprimento rigoroso de prazos, estar formalizado com um CNPJ é praticamente obrigatório para crescer e competir no mercado.

Quais são os principais tipos de CNPJ?

No Brasil, existem diferentes tipos de CNPJ que podem ser registrados, dependendo do porte da empresa, do faturamento esperado e da natureza da atividade. 

Os principais modelos são:

  1. MEI (Microempreendedor Individual)
    Indicado para quem está começando e tem um faturamento anual de até R$ 81 mil. É o tipo mais simples de empresa, com carga tributária reduzida e poucas obrigações burocráticas. Porém, nem todas as atividades de TI e logística são permitidas no MEI, então é preciso verificar o código CNAE autorizado.
  2. EI (Empresário Individual)
    É uma modalidade para quem quer atuar sozinho, mas com faturamento superior ao do MEI. O empresário responde com seu patrimônio pessoal em caso de dívidas da empresa.
  3. EIRELI (Empresa Individual de Responsabilidade Limitada)
    Exige capital social mínimo de 100 salários mínimos, mas protege o patrimônio pessoal do titular. Essa modalidade está em desuso desde a criação da SLU.
  4. SLU (Sociedade Limitada Unipessoal)
    Permite que uma única pessoa abra uma empresa de responsabilidade limitada, sem exigência de capital mínimo. É uma das opções mais populares atualmente para prestadores de serviço.
  5. LTDA (Sociedade Limitada)
    Ideal para quem tem sócios. A responsabilidade dos sócios é limitada à participação no capital social.
  6. S/A (Sociedade Anônima)
    Utilizada principalmente por empresas de grande porte, que pretendem abrir capital na bolsa ou captar recursos via investidores.

Para profissionais autônomos e pequenos empresários dos setores de TI ou logística, as modalidades mais comuns são o MEI (quando permitido), a SLU e a LTDA.

É importante ter uma assessoria contábil para entender exatamente em onde enquadrar a empresa.

Qual regime tributário escolher?

Além de escolher o tipo de empresa, é necessário definir o regime tributário, que vai determinar como e quanto a empresa vai pagar de impostos. 

Os principais são:

  • Simples Nacional: unifica diversos tributos em uma única guia. Indicado para empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões por ano. Para serviços de TI e logística, pode ser vantajoso dependendo do CNAE escolhido.
  • Lucro Presumido: baseia-se em uma margem de lucro estimada pela Receita Federal. É indicado para empresas com margem de lucro consistente.
  • Lucro Real: obrigatório para grandes empresas ou aquelas que atuam em setores específicos. Exige apuração detalhada dos lucros e tributos.

Cada regime tem suas vantagens e limitações, e a escolha depende do perfil da empresa, do tipo de serviço prestado e da estrutura de custos. 

Por isso, contar com uma boa assessoria contábil é essencial nesse momento.

Especificidades para o setor de TI

Profissionais de TI geralmente atuam como desenvolvedores, analistas, consultores, administradores de redes ou fornecedores de soluções tecnológicas. 

Muitos prestam serviços para outras empresas, inclusive no exterior, o que exige ainda mais atenção na regularização.

Ao escolher o tipo de CNPJ, é importante verificar se o CNAE escolhido se encaixa na atividade principal da empresa. 

Algumas das opções mais comuns são:

  • 62.01-5/01 – Desenvolvimento de programas de computador sob encomenda
  • 62.02-3/00 – Desenvolvimento e licenciamento de softwares
  • 62.09-1/00 – Suporte técnico, manutenção e outros serviços em TI

Empresas que trabalham com Body Shop de TI, por exemplo, precisam observar se a natureza do serviço prestado se caracteriza como licença de software, hospedagem, armazenamento de dados ou desenvolvimento. 

Além disso, empresas de TI precisam gerenciar adequadamente seus ativos de TI, como equipamentos, servidores, licenças de software e acessos a sistemas. 

Essa diferenciação impacta diretamente no enquadramento tributário.

Especificidades para o setor de logística

No setor logístico, as atividades envolvem transporte, armazenagem, distribuição, rastreamento, entre outros. 

A variedade de serviços é grande, e isso exige atenção na escolha do CNAE e no tipo de empresa.

Alguns dos CNAEs comuns nesse setor são:

  • 52.29-0/01 – Serviços de entrega rápida
  • 49.30-2/01 – Transporte rodoviário de carga
  • 52.11-7/01 – Armazenamento

Empresas de soluções em logística frequentemente utilizam tecnologias de rastreamento, sistemas de roteirização e plataformas de gerenciamento de frotas. 

Por isso, a estrutura do CNPJ precisa ser compatível com uma operação que envolve tanto mão de obra quanto tecnologia.

A carga tributária pode variar muito conforme a natureza do transporte (municipal, intermunicipal, interestadual), o tipo de carga e o regime adotado. 

Mais uma vez, o apoio de um contador especializado no setor é essencial.

Fatores a considerar na escolha do CNPJ ideal

Antes de abrir a empresa, vale refletir sobre os seguintes pontos:

  • Qual é o faturamento estimado para o primeiro ano?
  • A empresa terá sócios ou será individual?
  • Qual será o regime tributário mais econômico?
  • Qual é o tipo de serviço que será oferecido (consultoria, desenvolvimento, transporte, armazenagem)?
  • Existem obrigações específicas do setor, como licenças, alvarás, ou registros?

Responder a essas perguntas com clareza ajuda a evitar problemas futuros, como recolhimento indevido de tributos, multas ou dificuldade para emitir notas fiscais adequadas.

Hora de dar o próximo passo

Abrir um CNPJ é mais do que uma formalidade — é um passo estratégico para quem deseja crescer de forma estruturada e profissional. 

Seja você um desenvolvedor de TI que presta serviços para grandes empresas ou um operador logístico que gerencia entregas diárias, escolher o tipo de empresa certo é fundamental para ter tranquilidade jurídica, saúde financeira e espaço para expandir.

Isso envolve não apenas controle patrimonial, mas também segurança da informação e conformidade com legislações como a LGPD.

A boa notícia é que o processo de abertura está cada vez mais digital e acessível. 

Com a ajuda de um contador especializado e um planejamento bem feito, você pode estruturar seu negócio com segurança e foco em resultados.

Seja no mundo digital ou nas estradas, formalizar seu negócio é o primeiro passo para alcançar novos mercados, atrair grandes clientes e construir uma trajetória de sucesso.